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Nossas mentiras de cada dia: em uma cidade de faz de conta

Carlos Alberto Potolko, es escritor y vive en Santana do Livramento. capotoko@hotmail.com
Carlos Alberto Potoko, es escritor
y vive en Santana do Livramento.
capotoko@hotmail.com

DIARIO URUGUAI Y LA OPINIÓN
Quando a vida é uma mentira em quem se pode confiar? Com produção e fotografia impecáveis, narrativa lenta e poética, o filme “Lore”, da diretora australiana Cate Shortland, se passa no período pós-guerra e conta a saga de uma garota alemã e seus quatro irmãos pequenos em busca de abrigo e segurança. O mais intrigante nessa narrativa é a confusão de sentimentos em que a jovem se encontra. Lore fica confusa e perde a capacidade de confiar no que sente ao dar-se conta de que sua vida é uma mentira. No fim da jornada nota-se que Lore encontra amor, mas não consegue amar; encontra segurança, mas não consegue se sentir segura; encontra alegria, mas não consegue alegrar-se.
Faço essa analogia, para entender a cidade de faz de conta que vivemos, Ela tem supermercado, igrejas, teatro, cinema e pracinhas agradáveis (em Rivera). Uma típica cidade fronteiriça, é um lugar acomodado e atraente, com muitas casas simpáticas, restaurantes agradáveis, mas escassas opções de lazer para os cerca de 82.000 moradores. Poderia ser apenas mais uma cidadela qualquer no Sul do Brasil. Mas é uma cidade de faz de conta – nela parece que todos são felizes, mas não, carregam no semblante tristeza pela falta de cuidados que o governo deveria ter com os espaços públicos, ruas, praças, sinalização, ordenamento do trânsito em geral, serviço de saúde deficiente… Enfim, a lista que se observa nas redes sociais é bem ampla.
Se nosso desejo de uma boa gestão dos nossos representantes não está bem aceita pela população em geral, prova disso são as manifestações dos que nos visitam a reclamarem no face book, o abandono da nossa cidade em evidência. A administração dela, é bem provável que tenha se tornado exaurida de forças e desse modo, impotente. E assim como a inteligência, impotente, chama o desejo, a impotência de realizar o desejo da população se revela na negação. Ou seja, faz-se de conta que tudo está a mil maravilhas. Quando nos fazemos de conta de que tudo está ótimo, mas ocultamos isso. Há uma estranha realização nisso: a contraditória realização que nos traz toda irrealização. Somos despreparados para o desejo do bem comum porque somos despreparados para o outro. Somos iguais a “Lore” isso porque ela, ou nós, não conseguimos identificar o que necessitamos porque temos sentidos e sentimentos invalidados pela negação. Assim que, tanto ela como nós perdemos a capacidade de confiar no que se sente, em especial em relação a nossa cidade. Que 2016 seja o orvalho de cada amanhecer florido.

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